Elmo Alves

Neste nosso país caboclo, onde o imediatismo avança sobre tudo, não é de se espantar que a Historia, o entendimento de tradições há muito esquecidas, tenha tão pouca importância. O passado é destruído e abandonado com a fria impunidade daqueles que não sabem e que temo eu jamais venham a saber. Ter consciência destas coisas requer um certo tipo de individuo cada vez mais raro na nossa sociedade, e a própria raridade destes seres especiais, torna esse elo que nos conecta a tudo aquilo que contribui para ser o que somos, cada vez mais frágil, cada vez mais raro.

Elmo é um desses seres, ao vê-lo fotografar com sua câmera de grande formato, pacientemente tirando uma foto e depois com a calma daqueles que vislumbram o sublime, trocando o negativo, me encheu de admiração. É um sacerdócio que exige um ritual apurado, um jeito de ver o mundo que apesar da sua pressa absurda é subitamente estancado pela ação imobilizadora desta geringonça chamada Câmera Obscura.

Na mão deste artista que não tem pressa, que não quer apenas produzir mais uma foto perfeitamente descartável, tudo se transforma e a busca, busca essência e não quantidade.

Que som sublime tem esse click, que pela sua própria dificuldade técnica torna a atenção neste tipo de fotografia absolutamente imperiosa e necessária. Percorramos então este site onde memórias destes instantes se acham na materialidade visual, expostas, para que possamos, ainda que diluidamente percorrer o caminho uma vez trilhado por este raro e sensível ser que simplesmente fotografa.

Wilson Bacelar

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